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cinza verdura

É ao som do bater do pilão que se amanhece em dia de Cinzas, no interior da ilha de Santiago.
A Quarta-feira que sucede ao carnaval, marca o primeiro dia da Quaresma. O tempo de oração, jejum e abstinência, que antecede a Páscoa, segundo a doutrina católica. Paradoxalmente, na ilha de Santiago o dia é vivido com muita fartura.

O bater do pilão marca o início do dia porque é preciso preparar a farinha para o cuscuz, que é servido com mel a seguir ao grande almoço de Cinzas. Do pilão é também extraído o xerém, outro prato que não pode faltar à mesa.

A preparação para a rica refeição começa dias antes. Nos mercados habituais e nas feiras criadas especialmente para o efeito não faltam, mel, peixe seco, couve, banana verde, mandioca e batata-doce. São esses os ingredientes principais para a caldeirada.

O peixe que é salgado e seco ao sol, serve de base para o prato. O leite de cocô dá o toque final e pode ser adicionado tanto ao xerém como ao cozido de peixe e legumes.

(Por esses dias que antecipam a quarta-feira de cinzas) Nesse dia a azáfama é também grande cidade da Praia. Na capital o xerém e a farinha chegam prontos e podem ser adquiridos na grande feira de Cinzas, montada na principal avenida da cidade. O mercado a céu aberto atrai centenas de pessoas. As bancas são montadas alguns dias antes mas há quem espere pelo último dia, para aproveitar os preços mais reduzidos.

Pela avenida muitas famílias aguardam também as hiaces, para o interior da ilha onde, se diz, a festa é mais rija.

Uma tradição secular

Esta é uma tradição exclusiva das ilhas de Santiago e Maio. E já vem de muitos séculos, segundo explicam alguns investigadores.

Na Quarta-feira de Cinzas os colonizadores católicos portugueses, dispensavam a carne. Era dia de fazer uma única refeição diária e esta devia ser modesta. Por isso, em vez da carne, dava-se primazia ao peixe. Um produto mais acessível que sempre abundou no arquipélago. Em cumprimento das suas obrigações religiosas, os senhores ofereciam aos escravos, pagãos, grande parte da refeição confecionada.

Um acto de caridade, num dia que a igreja recomendava a prática de boas acções.

Os séculos passaram e o catolicismo tornou-se na religião da grande maioria dos cabo-verdianos. Mas a tradição de ter a mesa farta em dia de Cinzas manteve-se sempre presente.

Uma refeição partilhada

A refeição opulenta dá o mote para reunir a família. Mas apesar de não se praticar o jejum, a caridade e as boas obras não ficaram esquecidas. Para os que chegam de fora ou vivem sozinhos, há sempre mais um lugar à mesa. Em muitos pontos da ilha promovem-se almoços colectivos onde todos são bem-vindos.

O dia é sinónimo de partilha, por isso e apesar de a ementa ser a mesma em todos os lares, manda a tradição que os vizinhos troquem oferendas. Cada um prova um pouco da refeição da casa do lado.

No final do dia lavam-se as panelas e os pratos. É hora de descansar. E não se janta, porque o almoço prolonga-se pela tarde fora e completa a única refeição.

Num eterno dilema entre o profano e o sagrado, entre a tradição e os preceitos religiosos, os santiaguenses não abrem mão de perpetuar este costume de muitos séculos.

O aroma do peixe seco, regado com leite de cocô preenchem o imaginário de todos os santiaguenses, dentro e fora de Cabo Verde. Porque os sabores da terra fazem também parte do património cultural a preservar.

 

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