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É considerado o género musical mais antigo de Cabo Verde. O "batuku é uma manifestação cultural que integra, canto e dança, mas que tem um significado muito mais profundo. Esta manifestação trazida ou inventada pelos primeiros escravos que aportaram o arquipélago subsiste ainda hoje, nas ilhas de Santiago e Maio, como uma incontestável herança africana e um testemunho do percurso histórico de Cabo Verde.

Uma arte amada em segredo

Outrora era proibido por lei. Considerado um atentado à moral cristã, religião oficial do império. Mas o batucu existiu sempre. Nas senzalas e nos quintais os escravos montavam o tereru. Em poemas cheios de sentimento expressava-se a inquietação, o desejo de mudança, as amarguras da escravatura, a dor, o sofrimento mas também as pequenas alegrias do dia-a-dia.

Numa sociedade marcada pela escravatura o batuku era uma forma de expressão. Na roda juntavam-se homens e mulheres mas o batuku parece ter sido desde sempre um universo onde as mulheres tinham primazia. As horas passadas no tereru eram de liberdade e lá elas eram as rainhas e senhoras. Admiradas pelo canto cadenciado, pela dança enérgica e sensual e principalmente ouvidas e respeitadas.

A proibição escravocrata criou uma falsa imagem do batucu, tida como ocupação de mulheres de má fama. O acesso ao tereru era reprovado socialmente a mulheres de bem.

Mas apesar do seu controverso estatuto social, o batuku era presença constante em festas familiares e reuniões sociais. Era ao som da txabeta que se comemoravam os casamentos, os batizados e muitos outros momentos importantes. Pela voz das «batukaderas» devolvia-se as críticas à sociedade e aliviava-se as dores da alma.

Arte viva

O batuku é o desbravar da alma feminina, a expressão da sua visão do mundo.

Uma arte de grupo, com hierarquia e uma estrutura interna bem organizada. No topo desta hierarquia está a cantadeira principal. A poetiza que improvisa os versos que acompanham a txabeta. A profetiza que anuncia as mudanças e critica o estado das coisas, numa voz firme e compassada, muitas vezes marcada pela melancolia. Sentadas em circulo as "kantaderas di kumpanha" compõem um coro vivo e uniforme.

E a popularidade do batucu não se deve somente aos ritmos quentes da txabeta mas principalmente ao "torno". Assim é denominada a dança característica, onde as ancas da mulher acompanham a cadência musical.

A música começa num ritmo mais lento e vai ganhando ritmo e velocidade até atingir o pico. E é quando a música está no auge que as dançarinas entram em cena. As ancas acompanham a velocidade da txabeta. O requebrar do quadril exige domínio corporal e coordenação. Mas para as dançarinas o movimento é natural e flui ao sabor da música.

A dança é uma das componentes mais apreciadas do batuku. No centro do tereru duas ou três dançarinas mostram as suas habilidades. O movimento é centrado nas ancas. O resto do corpo deve ficar parado. Para provar tal habilidade muitas dançam com objetos à cabeça, que permanecem imóveis apesar do frenético balançar das ancas.

Quando o ritmo se intensifica aumentam também as palmas e os assobios em sinal de aprovação. É desta alegria (energia) que se alimenta o batucu. O convite à dança é feito pelo passar do pano, que é amarado um pouco abaixo da cintura para realçar os movimentos.

Poesia cantada

Além desta componente mais enérgica o batucu apresenta-se também numa outra forma mais melancólica e cadenciada. O finason. Aqui a txabeta serve de melodia de fundo para uma espécie de récita cantada. É neste género que se eternizaram grandes nomes da sabedoria popular cabo-verdiana como Bibinha Cabral, Nacia Gomi ou Ntoni denti d'óru.

Uma cantiga de Finason pode prolongar-se por horas, ao sabor do improviso.

Versos compostos por gente simples, mulheres e homens do campo, sem formação literária, que não sabiam ler nem escrever. Autênticas relíquias da tradição oral cabo-verdiana, cuja grande maioria ficou perdida no tempo. Através do Finason, dava-se conselhos, relatava-se momento marcantes, refletia-se as vivências crioulas.

De geração em geração a tradição manteve-se de pé. Hoje o batucu já reconquistou o prestígio que merece, e os grupos proliferam por toda a ilha de Santiago, onde tem mais expressão.

Além da sua forma mais pura o batucu apresenta-se também hoje estilizada, por muitos compositores cabo-verdianos. À txabeta junta-se o violão, a gaita, a percussão. Talvez um regresso ao passado. Ao tempo em que as rodas de batucu eram acompanhadas dos acordes da cimboa, um instrumento já em desuso.

Este ritmo tradicional é apreciado por cabo-verdianos de todas as ilhas e é um dos cartões-de-visita do país. Nas últimas décadas o batucu ganhou prestígio e lugar de destaque nos palcos nacionais e internacionais.

Hoje mais do que nunca é a voz de mulheres que cantam sem medo e encarram o passado como parte de um percurso em construção.

 

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