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 prasa alexander

Plateau. O nome é simples mas expressivo. Num planalto sobre o mar nasceu em 1615 o povoado que mais tarde daria origem à vila de Praia de Santa Maria da Vitória. A vila nasceu à volta de um porto clandestino e desenvolveu-se devido à sua privilegiada posição geográfica. Em 1770 substituiu definitivamente Ribeira Grande de Santiago como capital de Cabo Verde.

Em 1858 foi elevada à condição de cidade e a imponência natural valeu-lhe um estatuto que mantem até aos dias de hoje.

O centro histórico da cidade da Praia, o Plateau, continua a ser um espaço nobre, o centro administrativo, cultural e económico com uma história de quase 400 anos. Um estatuto que viria a ser reconhecido em 2013 com a sua classificação a Património Nacional.

Passear pelo Plateau é pisar calçadas centenárias e deixar-se transportar para uma outra época. As marcas do passado ainda subsistem neste planalto, através dos vários edifícios marcados pelos traços da arquitectura colonial. Testemunhos de um percurso que não se apaga, mas se transforma e se consolida com o passar dos séculos.

Praça central e igreja matriz

A praça Alexandre Albuquerque, o espaço central deste conjunto urbano, é ainda hoje o coração do Plateau aliada à igreja matriz, uma construcção edifício com mais de dois séculos de existência, a praça forma uma combinação arquitectónica, que é marca em quase todas as ex-colónias portuguesas

É à volta desta igreja e da praça que desenvolveu-se a cidade, e foram nascendo novas ruas, cruzamentos e a avenida principal rebaptizada na pós-independência com o nome do pai da nacionalidade cabo-verdiana, Amílcar Cabral.

Outrora estes espaços só podiam ser frequentados por cidadãos devidamente trajados. Ninguém podia circular descalço e todos envergavam os seus trajes de domingo para subir ao planalto.

As restrições ficaram no passado mas os praienses fazem questão de manter a tradição. Aos domingos, depois da eucaristia vespertina, a praça enche-se de crianças e adultos vestidos a rigor, dando mais dinâmica e cor ao planalto. Em casamentos e baptizados a praça é também o cenário das fotografias que registam o momento e na quadra festiva o largo enche-se de luz e os músicos da banda municipal voltam a dar vida ao antigo coreto.

Entre os que vão e vêm, há personagens singulares. Chegam antes de todos e só partem depois de a cidade adormecer. Os jardineiros, o engraxador de sapatos, as senhoras que vendem rebuçados em coloridos tabuleiros. Personagens que marcam o dia-a-dia da praça, quase que ignorados por quem passa mas que já são parte integrante deste espaço comum.

Outra construção de destaque neste conjunto são os Paços do Concelho. Além dos serviços camarários, o edifício conta com um amplo salão no piso térreo, transformado nos tempos atuais em sala de exposição. Ao longo do ano pode-se aqui apreciar trabalhos de artistas cabo-verdianos mas também estrangeiros.

A alegre agitação dos sábados de manhã

Aos sábados o centro histórico deixa as funções de centro administrativo e económico e renasce um Plateau mais alegre e colorido, transformando-se num grande centro comercial. Particularmente neste dia regista-se uma grande comoção de pessoas circulando pelas lojas ou simplesmente passeando pelas ruas e aproveitando os cafés e bares do planalto.

É neste frenesim do sábado de manhã que o mercado municipal, o principal ponto comercial do Plateau, acorda para uma mistura de cores, cheiros e sabores criando uma viva atmosfera de trabalho onde não faltam energia e boa disposição contagiantes.

Mercado Municipal

Frutos e legumes frescos do interior de Santiago, feijões, queijo fresco das ilhas do Fogo e do Maio, ervas medicinais que prometem efeitos surpreendentes, carne, peixe, doçaria e pastelaria artesanal... Pode-se encontrar quase de tudo neste mercado. O burburinho das vendedeiras anunciando os seus produtos são a música que embala as compras diárias e, sobretudo no sábado vespertino.

mercado

No mercado do Plateau compram-se produtos mas cumprimentam-se os amigos e conhecidos e conhecem-se histórias do interior, pela boca das vendedeiras sempre prontas a partilhar a sua intensa rotina diária, que começa ainda de madrugada.

Homens, mulheres mas também veteranas octogenárias. Cada um com a sua banca, todos parecem alimentar-se da energia desta feira colorida.

Rua Pedonal

E à tradição junta-se a modernidade. Saindo do mercado pela porta traseira entra-se na primeira rua pedonal da cidade. A rua Cinco de Julho onde se concentrava o abastecimento do comércio mercantil é hoje uma agradável zona de passeio. Não faltam esplanadas, lojas e exposições itinerantes.

Aqui pode-se saborear petiscos da terra e sumos naturais de frutas locais. Não faltam também pequenas guloseimas tradicionais, preparadas por mulheres que fazem do pequeno comércio a sua fonte de rendimento. Com as travessas cheias anunciam as suas iguarias caseiras.

A oferta é diversa. A rua é também usada para actividades culturais e recreativas.

Aqui está também situado o museu etnográfico. Uma instituição que tem a missão de divulgar e preservar a herança do povo cabo-verdiano. Numa rápida visita pode-se conhecer os principais instrumentos do quotidiano e o modo de viver do povo das ilhas.

Explorando o centro da cidade é possível encontrar vários negócios familiares, desde boutiques com artigos enviados dos Estados Unidos da América a barbearias tradicionais, onde fazer o cabelo ou a barba são pretextos para animadas conversas sobre o futebol, os problemas do quotidiano a política os amores ou o desenvolvimento do país.

Miradouro Diogo Gomes

Do miradouro Diogo Gomes, tem-se um panorama da cidade e uma vista privilegiada sobre a praia da Gamboa, outrora praia de Santa Maria da Vitória. O ilhéu de Santa Maria, onde ainda se podem ver as ruínas de um antigo abrigo para doentes com lepra é o elemento que se destaca no horizonte.

A estátua em homenagem a Diogo Gomes, lembrando a cruzada de um dos homens a quem no passado foi atribuída a descoberta das ilhas de Cabo Verde, é outro ponto de atracção. Hoje a história já apresenta outras versões mas é este navegador português o guardião permanente desta praia por onde passaram muitos outros descobridores e personalidades famosas da história como Vasco da Gama (descobridor do Brasil) e Charles Darwin, criador da Teoria da Evolução.

Circundante ao miradouro está o Palácio da Presidência. Um edifício do século XIX, que é a casa oficial da Presidência da República de Cabo Verde.

Outro edifício de traço colonial é o Quartel Jaime Mota. Assim designado em homenagem a um combatente pela liberdade da pátria, morto nas matas da Guiné durante a luta de libertação nacional. Este edifício construído em 1826 permanece como um dos mais antigos da cidade. Além do interesse arquitectónico, o quartel Jaime Mota pode ser considerado um testemunho vivo da história de luta do arquipélago. No seu exterior pode-se ver um veículo blindado pertencente ao exército português.

A sua restauração e transformação em museu já foi discutida mas ainda não concretizada.

Escola Grande e Liceu Domingos Ramos

No Plateau estão também importantes monumentos da história da educação em Cabo Verde. Este centro histórico albergou a primeira escola primária do arquipélago. Um edifício cheio de história e que hoje acolhe os serviços administrativos da Universidade de Cabo Verde.

A instalação desta escola promoveu desde sempre uma dinâmica académica e cultural na zona. A praça António Lereno denominada pracinha da Escola Grande continua a ser um ponto de passagem obrigatória para quem visita o centro histórico. No passado os jovens sentavam-se aqui com pilhas de livros. Hoje são os portáteis o principal material de estudo.

A praça já dispõe de internet pública gratuita e continua a ser o ponto de encontro da comunidade estudantil. Mas aqui é também o espaço preferido dos veteranos do Platô. Deste grupo fazem parte ilustres figuras da capital do país, políticos e intelectuais. Entre os mais experientes as horas são passadas em animadas conversas e jogos de cartas xadrez ou damas.

Muitos deles passaram pelo Liceu Domingos Ramos, designado liceu Adriano Moreira no período colonial. Uma instituição que comemora este ano 55 anos de existência.

Nesta instituição formou-se grande parte dos quadros cabo-verdianos, muitos, hoje figuras proeminentes da sociedade. Até ao início dos anos 90 era o único estabelecimento público de ensino secundário da ilha e de toda a região sul do país (sotavento), recebia estudantes de todo Cabo Verde, que dispunha então de apenas dois Liceus, sendo o outro em São Vicente, região norte do país (Barlavento).

Imponente sobre o mar, o Plateau acompanha a evolução dos tempos mantendo, todavia, a sua riqueza e traços históricos, não fosse este um património histórico-cultural e arquitectónico nacional.

Os dias passam agitados mas quando cai a noite é a música que se torna rainha e senhora. Os pátios coloniais tornam-se palcos de música. O violão dá os acordes das mornas que embalam mas há também música do mundo e novas sonoridades para serem saboreadas enquanto se degusta um bom vinho da vizinha ilha do Fogo ou os petiscos do mar que guarda a cidade, numa eterna vénia ao seu majestoso encanto.

 

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